quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Das curvas, das mães

Imagino que já deva ter passado na cabeça de outras mães. E que quem não tem filhos talvez tenha dificuldade de vislumbrar o tamanho da descoberta. Mas num belo dia, daqueles bem difíceis do começo da vida do Benjamin, eu entendi num clic de ficha caindo que a maternidade iguala as pessoas.

Foi assim: o meu despreparo diante do meu filho era enorme. O passar dos dias (das horas, dos instantes) me trouxe em forma de algum tipo de certeza que o despreparo de qualquer pessoa do universo diante do meu filho, Benjamin, seria também enorme. Porque é necessário despreparo para se estar diante do inaugural. É necessário ignorância. É necessário abertura disposta, e portanto vazia. E também a mudez que pode recolher numa escuta um som que se inicia como linguagem.


Qualquer saber, eu entendi, não seria exato. Ser mãe é ser curva. Desde o redondo da barriga e das mamas até o torto e o impossível das certezas. Passando pelo acolher sem pontas que incomodem – o círculo macio do abraço.


E isso independe da mãe, contanto que o seja. Branca, preta, ruiva, amarela. Biológica, adotiva, escolhida. Pobre, rica, milionária; estudante, analfabeta, PhD. Famosa ou gente comum. Nenhuma condição anterior a ser mãe dá ponto de partida que não seja o zero. Nenhuma condição anterior a ser mãe apresenta, antes que elas mesmas se dêem, as madrugadas insones. A insegurança de dar banho. O prazer de alimentar, qualquer que seja a maneira. O quente dum sorriso banguela. As choradeiras mil (do filho e da mãe). O olhar que se vê no olho que vê pela primeira vez.


Iguais Natalias, Marias, Maries, Giseles; Kalilas, Mitikos, Gimbyas, Jeannes...

6 comentários:

mizebeb disse...

Minha linda,
Amãecer foi o verbo mais lindo que eu vi nos últimos tempos... senti um cheiro de vida ao ler você. Fico imensamente feliz que a vida tenha te trazido essa bênção.
Saudades infinitas
Beijinhos com talco!
Mari

Daniela Lopez Garcia disse...

Mito lindo este seu texto.
Verdadeiro e inspirador.
Passarei a partir de hj a ler suas palavras leves e te seguirei!
Parabéns!!!
Ser mãe realmente nos iguala, por ser uma experiência inigualável.
Visite meu Blog: Amor de Maria Flor.
Bjs!!

maricotinha disse...

Nati, posso te chamar assim? Vim aqui ver quem era você e chorei com esse post, tá? Acho que tua prosa está mais para poesia... É muito verdade que todas começamos de zero, mas também que de repente a gente se descobre com uma infinidade de talentos. A resposta sobre o que é uma bitácora ficou lá no Maricitonha mesmo. Beijos!

Adriana disse...

Oi!!!Escrevi e deu um erro..não sei se entrou...vou tentar lembrar o que eu escrevi:

Uau!!!Cheguei aqui! Estou de boca aberta com seu jeito de escrever...é uma delycia te ler!
Este texto "Das Curvas" é uma preciosidade!
Continue "alimentando" o blog!rs!
Você tem coisas para dizer e escreve de um jeito que faz bem para alma!
Adorei te encontar (no amplo sentido! rs!)
Tô na área!!

besos
Adriana

Marina Fiuza disse...

É assim mesmo. A gente vira tudo meio bicho... Várias vezes eu me sentia um felino... como quando eu deitava de lado e sem roupa na cama e amamentava minha pequena também deitada de frente para mim. Lembro de um dia que minha recém nascida estava dormindo no berço e eu acabei cochilando no sofá da sala. Certa hora escutei um barulhinho (imperceptível para qualquer outra pessoa) e de um impulso levantei a cabeça como uma leoa ou uma cadela que levanta a orelha para escutar melhor. =)

Val disse...

Já aviso que fiz um post com um trecho desse seu texto. Que lindo! (Será que devo parar de dizer isso, já que parece redundante, quando se trata de um escrito seu???)
Será que vem livro por aí???

desculpe copiar descaradamente seu post, mas citei a fonte. se vc achar que fiz mal, é só avisar que apagarei. Do blog, não da mente.

Bjos

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