terça-feira, 17 de agosto de 2010

Primeiros: mês, mãe, filho...

Quando Benjamin nasceu eu não tinha lido nenhum livro sobre maternidade ou como criar seu filho ou como fazer dele x, y e z. Isso por um certo receio de ser mãe tecnológica (obrigada pelo termo, Juliano) e por achar que, de um jeito ou de outro, eu ia dar conta. Aliás, pra não mentir, depois de ir ao primeiro pediatra (acabei ficando no segundo, a peregrinação não foi tão longa), comprei pela internet um livro indicado por ele numa das muitas madrugadas insones da gravidez, motivada por um desespero repentino porque, afinal de contas, eu nunca tinha trocado nenhuma fralda na vida e muito menos dado banho em bebê. Um livro simples, que de vez em quando ainda folheio pra tirar alguma dúvida e quando lembro que ele existe.

Mas tirando esse, nenhum outro. E comecei fazendo Benjamin dormir no peito, que era como ele mais facilmente dormia. E a dar o peito a cada vez que ele chorava, porque sempre conseguia achar que ele não tinha mamado tanto mesmo da última vez. E, se ele não dormia no peito ou acordava na hora que eu estava colocando ele no berço, então era colo. Umas 3 ou 4 vezes o dormir no colo, botar no berço, acordar, começar de novo. (quando não era voltar pro peito...) Depois de a pediatra dar uma bronca porque ele estava ganhando peso demais, o peito deixou de ser uma alternativa e começamos a seguir os horários pra mamar. E eu aprendi que choro pode ser cocô, frio, sono... No caso do Benja, quase sempre sono.

Nessa época, uma amiga nossa, pediatra e mãe de 3 filhos, recomendou a tal da encantadora de bebês. Na hora fiquei meio constrangida de dizer que não acreditava muito nessas coisas, achei estranho que ela, que não era leiga, tava me indicando um livro daqueles e achei o nome ridículo. E continuei usando as mais diferentes técnicas de colo pro Benja dormir. E não só de colo.

Se ele dormia ao som de uma música, então das próximas vezes era repeat ad infinitum até ninguém agüentar mais e o Benja não dormir mais com aquela música mesmo. Buscávamos outra. (As mais ouvidas foram El reparador de sueños, do Silvio Rodriguez, Meu neném, Palavra Cantada básico e toda a Caixinha Brasileira, além do MPBaby, que veio um pouco mais tarde de presente). E um chacoalha de um jeito, move do outro, shhhh no ritmo da música... A gente chegou a ficar, mais de uma vez, até 5 horas tentando fazer o Benja dormir. Dava aquele desespero de parar o processo pra dar de mamar porque já tava na hora, mas tinha a esperança de que na mamada ele dormisse. E dava desespero também olhar pela janela e ver a vida das pessoas no prédio da frente acontecendo e nós aqui no rodízio de colos. E o Benjamin sofrendo.

E tinha também o lado místico. Tentar a mesma posição, o mesmo horário, o mesmo balançar, o mesmo jeito de colocar o cobertor. E outras explicações: cólica, dor de ouvido, sei lá o que mais. E a raiva furibunda de quem ligava exatamente no momento em que a gente tava colocando ele no berço, e ele acordava de novo, e mais uma vez o processo (quase sempre ao som, além da música da vez, de muito choro). Acho que o coitado dormia era de exaustão...

Depois veio o secador de cabelos. Descobrimos que o barulho acalmava, e então era todo um ritual de começar com a potência máxima, diminuir, e depois que ele já tava deitado, deixar um tempo o secador pra fora do quarto pra, só quando era certeza que ele já tava em sono profundo, puxar da tomada. Imagine a conta de luz.

Nessa época, a gente já tava aderindo à chupeta, que no começo eu era contra (oh, quanta pretensão e ingenuidade!) e ainda estávamos tentando tirar o dedão da boca quando ele queria chupar. Ele devia estar com um mês e pouco. Mas mesmo assim eu passava o dia todo em função dele, me sentindo heroína e achando que estava fazendo por meu filho o melhor por ele, porque sacrifício e benefício eram diretamente proporcionais na minha cabeça de mãe culpada de primeira viagem (imagino que, no segundo filho, só o segundo predicado vá embora, não?).

E então, em outra madrugada de desespero, comprei pela internet a encantadora, depois de admitir pra mim mesma que não era normal ele dormir por 15 minutos e acordar inúmeras vezes ao dia, e depois que meu cansaço assim exigiu.

Eu devorei o livro.

Achei que não tinha capacidade de ler pelo cansaço, mas eu esperava ansiosamente a hora do Benja dormir pra atacá-lo. Venci meus preconceitos e a cara de Bush do bebê da capa e fiquei impressionada que ela falava exatamente as minhas dúvidas! Não aderi ao teste pra classificar bebês nem ao E.A.S.Y. ao pé das letras (
E.A.S.Y uma O.V.A.!), mas que a vida melhorou depois da encantadora, melhorou. A do Benjamin, principalmente.

E depois veio o Nana, Nenê, junto com a culpa na forma de porque-eu-não-fiz-isso-antes somada à sensação de ser profundamente influenciável e à culpa na forma de se-ele-tiver-algum-problema-é-porque eu fiquei mudando de método.

Então chegamos ao ponto que motivou esse post. (demorou, né?)

E conto a história de uma amiga querida, que não digo o nome porque não sei se ela deixa, mãe de um filho gostoso e cheiroso, que choraram, ambos, de puro desespero e falta de sentido, horas a fio até que ela ligou pro pai, que estava de plantão, pra ele vir socorrê-los. Quando ela me contou, parecia que não conseguia encontrar nenhum lado bom no que tinha acontecido. E eu disse: mas era você vivendo aquilo com ele. Sem pensar que isso me serviria a mim mesma de sentido mais tarde. Não estou tentando achar desculpas, nem digo que aqueles dias foram deliciosos pra ninguém, mas era eu, na minha ingenuidade, crueza de mãe crua, junto, junto, bem junto com o Benjamin, na sua crueza de ser vivo. E o Demis, que viveu tudo também. Estávamos ali, cada um, inteiros para cada outro de nós. Falíveis, novos, ingênuos, mas com vontade, e principalmente, éramos Benjamin, Demis, Natalia.




*Juliano Garcia Pessanha, do Certeza do Agora e das pessoas detrás das nuvens.

5 comentários:

Anônimo disse...

O ingresso na maternidade é um dos desafios maiores da vida... entrar de peito aberto, peito cheio para alimentar alguém tão mais sedento de vida quanto nós mesmas, alguém que vem das entranhas, capaz de sentir nossos maiores medos, provocar as mais loucas alegrias, acordar aquela criança que, timidamente, se escondia dentro de nós.... duas gestações em uma... filho e mãe, duas crianças que se encontram em uma aventura mágica, enlouquecedora, engrandecedora...
Aos que se aventuram a compartilhar momentos, histórias e memórias... a beleza de um caminho desconhecido, construído a muitas mãos... família que se forma...

bj, Shirley

Mari Rocha disse...

A-ha! Que experiência mais familiar!!!

Nati, tenho cá pra mim que independentemente do caminho escolhido, se o fizermos por inteiro e com toda a nossa verdade deve dar certo...

Eu li o certeza do agora do Pessanha!!! Numa situação muito peculiar: fazendo banhos de assento para aliviar a dor dos pontos da episio (segredo). Pois ficou registrada na minha cabeça a cena da mãe dando um sorriso amarelo pra ele logo que nasceu. Acho até que isso tem a ver com o que escrevi acima...

Enfim, mais um assunto pro encontro de quinta!

E você já tá super descolada no blog! até postando vídeos!!!

e oba! quinta eu conheço o dono dessas mãozinhas gorduchas!!
Beijos!!

Lulu disse...

Querida!
Que surpresa, a gente aqui! :)
Também li a Encantadora. E, relutante, testei algumas dicas. Mas a nossa vida só melhorou depois que eu as esqueci! hahahahaha
Livro bom sobre criar filhos é uma coisa rara, eu acho. Dos que eu li, no meu desespero para fazer ele feliz, só recomendo um: "uma vida para seu filho - pais bons o bastante" de Bruno Bettelheim. Libertador.
Te amo. Saudade.
to chegando pra gente trocar figurinhas.
beijo

Anne disse...

Nati, eu já havia lido esse post e incrivelmente ele faz mais sentido para mim agora! obrigada por me lembrar dele, tá vendo como a cronologia bloguística pode ser sacana! Vamos que vamos, Anne, Pedro Joaquim e Tracy...
bjos

Maura disse...

Nossa!!! Me identifiquei mto com o q vc conta nesse texto... Nossa vida tb melhorou depois da encantadora de bebês... Agora minha antes insone filhota tira deliciosas sonecas ao longo do dia e dorme mto melhor a noite... Mas confesso que as vezes ainda recorro ao secador de cabelos... hehehe.
Um abç,
Maura, mamãe da Sophia de 4 meses

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