sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A incrível esperteza da mãe-natureza

Atenção: as palavras abaixo podem conter, para não-pais, conteúdo escatológico forte.

Um dia desses, enquanto trocava o novo cocô do Benjamín, percebi outra vez a astúcia da natureza.

O cocô dele, além de cheirosinho, era molinho, em volume na maior parte das vezes cabível na fralda e de consistência contornável com algodão molhado. E mesmo com esse cocô fácil, nas primeiras semanas eu conseguia sujar nós dois de cocô e lambuzar toda a roupa limpinha e as perninhas de hipoglos.

Desde que ele começou a comer papinha salgada, o cocô mudou. Agora tem cheiros diversos e esquisitos, sai de montão, é pastoso e pegajoso, muito pegajoso. Se eu molho o algodão pra limpar, espalho mais ainda. E tenho que limpar várias vezes pra tirar toda aquela tonalidade amarelada que fica a bundinha do meu filho. Isso, somado à destreza crescente do rebento, torna a tarefa trivial de trocar a fralda um desafio sempre maior.

E foi espalhando cocô por todo canto que pensei quão inteligente é a natureza por fazer com que os bebês comecem a vida com um cocô nível 1 de dificuldade, que só aumenta de nível conforme aumenta a habilidade dos pais para enfrentá-lo.

E ali, segurando pra cima as perninhas do meu filho, continuei devaneando e lembrando que essa esperteza da natureza eu já tinha vislumbrado no adiantado da gravidez, quando acordava umas quatro ou cinco vezes por noite pra fazer xixi e sabia que aquilo era só um preparo para as madrugadas que estavam por vir.

Ou quando recebia meus exames de sangue todos anêmicos, porque a sábia natureza, agora mais séria, prevê sangramentos no parto e deixa mais diluído o sangue que pode ir embora.sem dizer tchau.

Ou quando alguém pega no colo meu filho e constata em voz alta que ele está pesado, e eu num sorriso mudo sei que a natureza e sua perspicácia foram ajeitando os músculos do meu braço de acordo com o tamanho do meu filho, de modo que ele, pra mim, não pese nunca (por enquanto, mães de mais velhos, eu sei).

Ou lembrando de todo aquele inchaço associado a olheiras e cabelos disformes que me constituía logo depois do nascimento do meu filho, que faziam coincidir a impossibilidade de sair de casa e a necessidade de evitar isso a todo custo, poupando, assim, a vizinhança de cenas deploráveis.

Seria possível continuar enumerando ad infinitum as provas da astúcia da natureza (que é mãe, afinal de contas), mas meu Benjamín já estava com o bumbum limpinho e cheiroso, vestido, e não ficaria parado em cima do trocador pra eu continuar devaneando nem que a vaca tossisse.

6 comentários:

Anne disse...

A-do-rei! Hahaha tem toda razão!
A natureza é sábia mesmo! E viva a blogsfera que nos permite falar de consistência de cocô sem ver a cara de nojo do ouvinte não-mãe!!!
Sim sou de SP e veja, também como toda boa paulistana acho que todo mundo da internet inteira mora aqui... hahahha!
Outro dia pensei em escrever para uma cyber-friend que mora em Cuiabá "o que você está fazendo nesse fim de mundo?" Só depois reparei que isso é muito bairrista e é óbvio, ela está lá porque mora lá...dã!
E a gente vai aprendendo a não prestar mais atenção no próprio umbigo. Esse é o ensinamento da primeira semana. Simbólicamente, temos que cuidar do umbigo do outro. Fofo né?
Bjo Na (olha que íntima, Na!)]
Tô adorando!
Anne
mammisuperduper.blogspot.com

Marina Fiuza disse...

Ah... que lindo. Que sempre lindo.

Quanta coisa a gente aprende, né? Quanta metamorfose!

E sobre o peso dos filhos... olhe só. Minha pequena pesa 25 quilos, o que é muito para uma mãe desmusculada como eu. Outro dia, quando ela chegou nos 40 graus de febre depois de ter tomado duas doses de antitérmico eu a peguei no colo e a carreguei por duas quadras até o hospital sem sentir peso nenhum. E olha que além dos 25 quilos tem toda uma dinâmica de braços e pernas enormes que nos tiram o equilíbrio. Portanto, fique tranquila. A gente aguenta por muito tempo.

Carol Passuello disse...

Adorei Natália!! E sabe que esses dias eu tava pensando como que no início eu conseguia limpar tudo aquilo com chumaços de algodão? Agora só com lenço umedecido!
Hehehhe
Bjs

Mariana Tezini disse...

Natália, é por essas e outras visitas que a gente sente que vale a pena expor um pouquinho da nossa vida na rede, enfim, trocar. E quem sabe saber o muito que falta daqui e dai!
Vou saborear teu blog com calma.
Um beijo

Daniela Lopez Garcia disse...

Que lindo, amei!!
Preciso me preparar para o 'upgrade' do cocô da maria Flor... hehehe...
A natureza só podia ser mãe mesmo!!!
Bjs!!
Dan.

Martha disse...

Oi Natália... Só vc para escrever sobre cocô com essas palavras que são muito mais de encantar do que de dar nojo. A-D-O-R-O!!!!!!!
E é incrivel como eu fui balançando a cabeça, afirmando cada linha que ia lendo! Como, sim, o nivel de dificuldade vai aumentado a medida que vamos pegando maior habilidade.. nossa como nunca pensei nisso?!
Só vc mesmo!
Ajudou a melhorar minha manha.. com cocô! rsrsr
Bjs

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